Segunda-feira, 19 de Março de 2012

obsessão

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Uma obsessão é um cerco, e todos se lembram dos cercos medievais onde não estiveram - tanto se expunham à fome e à peste e à espera os do lado de dentro como os do lado de fora. Por princípio, importa que a conquista não seja uma ruína.

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Quinta-feira, 15 de Março de 2012

de um incendiário para outro

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se não conhecem o gonçal∅, deviam. e se forem rápidos podem mesmo ficar com um trabalho dele. o 32 e o 35 são meus. e honestamente, podia bem ficar com todos.
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Segunda-feira, 12 de Março de 2012

Dinis

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bem-vindo ao mundo, Dinis.
há muito que penso sobre o que te quero dizer acerca dele.
ver nascer o amor é uma espécie de magia.
eu comecei a amar-te muito antes de te poder ter aqui com a cabeça na palma da minha mão e os pés a tocar-me o cotovelo. és ainda do tamanho do meu antebraço e eu já sinto tanto por ti.
para mim, este é um dos perigos do amor. este amor que começou agora, não vai alterar-se nunca. eu não sei voltar atrás no amor. quando começo, o amor é para sempre. e eu não o trocaria por nada.
na verdade, antes deste dia eu já te amava muito porque os teus pais já eram parte da minha vida para sempre. quando eles saíam do nosso bar mais cedo dizendo que estavam cansados e nós brincávamos tentando envergonhá-los dizendo vão é fazer o puto!, tu eras ainda uma mera possibilidade e eu, eu já te amava muito.
não sei se vais crescer perto de mim, se vamos estar juntos muitas vezes, se me vais apontar nas fotografias dizendo o meu nome ou se te lembrarás de mim ao folhear um dos muitos livros que te fui oferecendo desde que soube que ias nascer e onde escrevi coisas que gostava de dizer-te caso nada disto aconteça. mas sei que vou amar-te sempre. e que és para sempre parte de mim.
esta é a magia do amor. ver alguém nascer-nos por dentro. o resto das coisas do mundo, bom, não interessam assim tanto. bem-vindo Dinis.
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Domingo, 11 de Março de 2012

Sexta-feira, 9 de Março de 2012

o erro de Descartes II

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lembro-me de aprender descartes na escola e de muito discutir a existência de deus. existe porque temos a ideia da perfeição e essa ideia só pode vir de deus.
a minha avó nunca estudou filosofia e diz que ele existe porque temos que vir de algum lado e que somos a sua criação perfeita.
descartes defende a autoridade da razão e ainda que argumentasse contra deus, desta ideia sempre gostei.
tinha quinze ou dezasseis anos.
depois aprendi outras coisas noutra escola. ensinaram-me onde ficam a razão e a emoção dentro de nós. ensinaram-me a vê-las funcionar, a saber o que pensa alguém quando olho para uma fotografia do cérebro e para mim perfeição era este equilíbrio entre razão e emoção.
tinha dezanove ou vinte anos.
agora tenho trinta e a vida ensinou-me como este equilíbrio de facto funciona e que estamos sempre a aprender.
a razão vem e argumenta, lista os prós e contras, pesa-os, avalia-os, diz-nos que não, que não é prudente, que não devemos, que não podemos, que sabemos claramente o resultado, que nos vamos magoar e arrastar outros no caminho, que não podemos querer tudo, querer tanto, que temos que ser coerentes com as nossas escolhas ou elas nada representam, que estamos felizes, que não somos assim, que somos crescidos e por isso não. muitas vezes não.
o coração vem e diz mas eu quero!. e pronto.
se deus existe e somos a sua criação perfeita, o seu sentido de humor é fodido.
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Quinta-feira, 8 de Março de 2012

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

that awkward moment

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quando ainda é cedo, não bebeste café e pensas que saíste de casa de óculos de sol e olhas fixamente um estranho que caminha na rua na tua direcção, imaginando pormenores sobre a vida dele como fazes com os estranhos que encontras. e reparas que ele também olha para ti intrigado e sorri quando se cruzam. não entendes porquê mas depois percebes que não tens os óculos de sol, mas sim os óculos da miopia.
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Terça-feira, 6 de Março de 2012

sou claramente uma mulher de obsessões

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uma amiga pergunta-me se tenho tempo para sair do trabalho e beber um café na pastelaria da esquina. peço-lhe uns minutos e ela pergunta-se se estou com muito trabalho. respondo-lhe que sim. e que estou a ver fotos do Aaron Bruno.
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IRun, IRun my life like it's a dance floor

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8.02 h, Awolnation, 5,44 km
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Segunda-feira, 5 de Março de 2012

farinha do mesmo saco

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optamos pela autoestrada porque do outro lado do país já nos desafiam para tequilla e cerveja. enviam-nos uma sms onde nos dizem cheiram a leitinho e ao mesmo tempo pomos o dedo no ar e gritamos oh no you didn't! abanando o pescoço.
e mesmo sem o necessário identificador entramos na scut para ganhar mais uns minutos e ele diz mana, no worries! pagamos com awesomeness!. e passámos a viagem a fazer pose para as câmaras dos pórticos.
malta que fiscaliza essas coisas na A22: olá! sou eu.
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Quinta-feira, 1 de Março de 2012

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um amigo pergunta-me se tenho planos e eu respondo road trip faro-porto com o meu irmão.
diz-me que podíamos ir almoçar juntos na praia e eu faço um telefonema só para confirmar.
quantas horas achas que demoramos?, pergunto.
quantas horas aguentas a ser tatuada?, respondem-me.
às vezes, juro que só não caso com a minha vida porque não preciso.
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Fotografia de Scott Campbell
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Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

loose is beautiful

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saio do auditório da faculdade a olhar para o relógio, com o casaco debaixo do braço e procuro a casa de banho enquanto uma amiga me passa a minha mochila.
entro e olho-me no espelho que cobre a parede completamente.
troco as calças de fato por umas skinny jeans, o casaco e a camisa por uma camisola preta com um esqueleto desenhado e que me demorou horas a fazer. calço uns all star e prendo o cabelo antes perfeito num daqueles desalinhos da moda e que sempre usei. substituo os ray-ban para a miopia pelas lentes de contacto e sem me lembrar que já é tarde, prendo os ray-ban de sol meio a segurar-me a franja.
saio e um miúdo está parado perto da porta. olha-me e volta a fixar a porta.
eu encosto-me com um pé na parede e começo a enrolar um cigarro, divertida e falando com a minha amiga que sorriu o tempo todo da minha exposição, apesar de falar de abuso sexual de menores. esperamos por outra amiga para ir beber um café e pôr a conversa em dia. é raro estarmos nas mesmas cidades.
entretanto o miúdo aproxima-se e pergunta-me se não vi a professora que saiu do auditório, que tinha um fato cinzento e que ia jurar que ela entrou na casa de banho.
digo-lhe que não. que não sei quem é essa pessoa.
e a amiga que esperávamos buzina perto do portão e vamos ter com ela acendendo os nossos cigarros e eu vou a pensar que a culpa é minha. que a culpa é nossa. e que a minha camisola preta com um esqueleto desenhado não me define e que muitas vezes deixo que os outros achem que competência é um fato cinzento.
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